13.7.05

O dia em que o Sol se declarou à Lua


Estava a olhar para o céu e vi a Lua minguante e laranja.
Lembrei-me do conto do Sol e da Lua e não resisti partilhá-lo.
A Vespinha lunática

"Conta-se, que há muito, o Sol andava triste pela Terra.Os seus raios, já não eram tão intensos como antes e por mais que o fizesse, era sempre encoberto por alguma nuvem escura que percorria o céu num forte vendaval.Os pássaros, as flores, os animais, todos se questionavam sobre o distanciamento do sol.
Numa manhã, que seria bem mais bonita, se o Sol estivesse com o seu esplendor total, uma ave de voo inigualável chamada Condor, arriscou e quis tentar conversar com o astro rei.O sol ao perceber a dificuldade do Condor para se aproximar, tranquilizou-o dizendo:
- Linda ave, de voo quase perfeito, porque queres chegar a mim, se estou por toda a parte deste planeta?
O Condor ouvindo a pergunta do Sol respondeu-lhe já exausto pelo voo:
- Gostaria muito de saber o que te deixa triste. O planeta está quase sem a tua luz: os pássaros já não sabem mais para onde ir, as flores, principalmente o girassol, já não sabe mais se fica acordado ou se dorme, os animais já não sabem mais se ficam nas suas tocas ou se saem para caçar, as lavouras estão-se a perder...Tudo está tão confuso, que resolvi arriscar este voo e perguntar-lhe qual seria o problema.
O Sol percebendo a preocupação do Condor disse-lhe:
- Não sabia que estava a causar tantos transtornos! Confesso que me absorvi nos meus pensamentos, que não me dei conta do que estava a fazer. Posso tentar solucionar isto tudo, prometo tentar...
O Condor percebendo a "dúvida" que ficou nas palavras do Sol, ainda insistiu na mesma pergunta:
- Mas o que se está a passar, que te tirou a atenção do resto do mundo? Poderia ajudar, se me dissesse o motivo.
O Sol ainda encoberto, disse-lhe:
- Acho difícil alguém ajudar-me... Muito difícil mesmo... E já que está disposto a conversar, diga-me: você já amou alguém, Condor?
O Condor apoiou-se nas encostas de uma montanha, baixou a cabeça sem olhar para o abismo e respondeu:
- Sim, já amei... Amei uma linda ave, que não era um Condor... Amei e sonhei... Muito... E porque me pergunta isto? Você é que é o Sol! Possui mais dotes do que eu, possui o poder nas suas mãos! Não é possível que não consiga conquistar o amor de sua amada! Qualquer dama, se renderia à sua luminosidade, ao seu esplendor, ao seu magnetismo natural, ao seu calor...
E antes mesmo que o Condor continuasse, o Sol interrompeu-o dizendo:
- Qualquer uma, menos ela...
O Condor já intrigado de tanta curiosidade, então perguntou:
- Quem Sol? Quem é ela? Que dama lhe ofusca os olhos?
O Sol, então olhou para o infinito e disse-lhe com o semblante bem triste:
- A Lua... A Lua, amigo!
Nesse instante o Condor em respeito ao Sol, conteve o seu sorriso e disse-lhe:
- A Lua? Como é que se apaixonou por ela? Como é que isso aconteceu?
O Sol percebendo o espanto do Condor, respondeu-lhe:
- Aconteceu, que nos encontramos por algumas vezes... Em fracções de segundos em alguns lugares, mas encontramo-nos! Porque está tão surpreendido com isso?
O Condor percebendo que o Sol já estava exaltado, tentou explicar:
- Por favor amigo, não quero que fique nervoso comigo. Apenas estranhei a Lua ser a sua amada...
- Como estranhou? Nunca lhe perguntei a quem você amou e se tivesse dado certo, você não me responderia da maneira como me respondeu!
O Condor então disse:
- Sim, você está certo... Desculpe! O que estranhei, foi que você viu muito pouco esta bela criatura, para poder apaixonar-se por ela.
Neste instante o Sol então respondeu:
- Sim muito pouco... Muito pouco mesmo... Mas nestas poucas vezes, olhei bem dentro dos olhos dela. Vi toda a beleza que ela trazia dentro de si... Vi o seu coração... Senti-o bem próximo de mim... Acreditei naquele olhar... Vi cumplicidade... Vi entrega... Vi amor...
O Condor, observou que o Sol lhe falava, mas os seus olhos ficavam fixos no infinito, procurando talvez os olhos da Lua.Então disse-lhe:
- Ora, ora amigo, tenho que pensar numa maneira de o ajudar. E ao ajudá-lo, estarei sendo ajudado... não só eu, todo o planeta!
O sol com mais emoção então perguntou:
- Como me poderá ajudar?
- Devagar amigo! Primeiro preciso de me encontrar com alguns amigos de hábitos nocturnos e depois dou-lhe a resposta.
E o Condor saiu voando mais que rapidamente e em menos de 5 horas, quase à noitinha, apareceu junto à encosta de uma montanha, onde o Sol já se reclinara para adormecer e disse-lhe:
- Veja amigo, o que eu trouxe junto a mim! São vários amigos de hábitos nocturnos e todos eles estão dispostos a ajudá-lo, se você continuar durante o dia no céu, mais forte do que nunca! É esta a única condição imposta por eles, para o ajudar!
O sol intrigado com tantos animais ao seu redor, perguntou:
- Então digam, o que vocês fariam?
Neste instante uma coruja, com a fisionomia bem experiente e sábia, disse-lhe:
- Levaríamos à Lua, os seus recados, as suas notícias... Tudo que precisar!
O Sol nesse momento bramiu com grande satisfação ao dito da coruja.E depois sorriu aliviado dizendo:
- Então digam a ela uma "coisinha" muito importante, que nunca tive tempo para dizer, pois quando nos víamos, ficava tão preocupado pelo pouco tempo de encontro, que me esquecia de dizer... Digam a ela, que a amo! Que a amo, mais do que tudo! Que estarei sempre à espera para nos encontrarmos! Que serei guardião do dia e ela será a guardiã da noite... E trabalhando juntos, os dias e noites passar-se-ão sem erros e nos veremos novamente! E quando nos encontrarmos novamente, amá-la-ei mais e mais... Nem que demore meio século para este encontro, mas amá-la-ei.
Os animais nesse instante emocionaram-se com a clareza e transparência do Sol.Agora sim, ele foi sincero no seu sentimento.Ele não o escondeu entre as nuvens escuras e não teve medo de dizer o que sentia.E a noite chegou.A primeira a levar o recado foi a coruja.Do alto de uma árvore, disse à Lua as palavras do Sol. Naquela noite, uma chuva muito branda, mas "molhada”, molhou a Terra. Cada gota de água da chuva, representava emoções e sensibilidade da Lua. Cada gota de chuva representava lágrimas de amor da Lua! Lágrimas de esperanças... Lágrimas de satisfação... Lágrimas de confiança... Agora a Lua sabia que não estava só...E um dia, encontrar-se-ia novamente com o Sol... Nem que demorasse meio século...Mas encontrá-lo-ia... Na imensidão do tempo... "

4 Comments:

Blogger Caracolinha said...

Mais uma história linda que prova que no amor não há barreiras ... muitos parabéns por mais este momento, a mim soube-me duplamente bem uma vez que já ma tinhas contado hoje ao telefone ...

Bába ~:o)

13 julho, 2005 14:08  
Blogger Nilson Barcelli said...

A história é linda e o teu blogue também.
Beijinhos

13 julho, 2005 14:25  
Blogger Mocho Falante said...

é que na verdade podemos amar por breves fugazes momentos que duram para uma vida inteira, uma história dessas e contada aqui tem um significado muiiito especial

Babas emocionados

14 julho, 2005 01:08  
Anonymous Anónimo said...

Olá.
Também gostei muito do conto.Fez-me lembrar aquela música de um conjunto fez para a Lua/Sol:"...oh lua não me ligas nenhuma...".
É claro que esta é uma outra história,mas continua;)
Beijos de um outro mundo.

14 julho, 2005 22:40  

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