20.5.05

Pessoas como ela


A Mãe sempre me disse: "se queres dizer mal, tens de saber do que estás a falar". Eu sempre segui os conselhos da Mãe e à conta disso, já me vi obrigada a ver vários programas do "Levanta-te e ri", do "Vidas reais", dos "Malucos do riso" e do "Zero em comportamento". Ouvi discursos do Santana Lopes, a música dos Delfins e até dissequei pacientemente os poemas desse pseudo-poeta de estrada que é o João Pedro Pais. Gosto particularmente daquela frase que ele cantarola "da vida que levas de novo outra vez!".

Mas o conselho da Mãe, tem tanto de bom como de mau e à conta disto, passei a adorar a música "Sexed Up" do Robbie Williams...

Veio-me parar às mãos um livrito promocional de 24 páginas dessa diva da Li(XO)teratura portuguesa que é a Margarida Rebelo Pinto.
Meti dois Bromalex ao bucho, partidos ao meio para parecerem 4 e li, não as 24 páginas mas apenas 4, que o meu sistema nervoso central não dá para mais...Deve ser da Paroxetina!

A receita é a mesma e a miúda que diz ter posto Portugal a ler - ela também é uma óptima humorista - lançou, ou arremessou mais um livro...
Parafraseando-a, "Não há coincidências" e com a equipa de marketing que a miúda tem atrás dela - salvo seja, acho eu - até o Zé Cabra vendia livros a rodos.

A cor do livro é (a)berrante, como todas as capas dos seus livros e encontram-se estrategicamente colocados nos topos dos hipermercados sub-urbanos ali mesmo à mão de qualquer inocente. E como no marketing, o que é sofisticado hoje amanhã já não é, não me admiro que dos topos dos hipermercados passem para a secção dos detergentes. Qualquer coisa do tipo: "Na compra de um pacote de 10 kg de Tide, oferecemos o último livro da miúda.".

Ela está em todo o lado. Nos centros comerciais, nos hipermercados e até nos viadutos. Sim, nos viadutos. Abundam os cartazes publicitários, qual estrela Pop. Sim, porque ela diz que é uma escritora Pop. Pop, eram os THE SMITHS, mas provavelmente a senhora nem sabe do que eu estou a falar!

E vende muito. Pois vende. Mas também já se percebeu que a futilidade vende, que o deboche vende, que a mediocridade vende, que a ignorância vende, que o vazio vende. Que lideram as audiências televisivas os canais populistas, os Big Brothers e companhia. O que vende muito, não é necessariamente o que tem mais qualidade.

Diz ela em entrevista, que se não fosse escritora, seria detective ou cantora. Eu preferia que ela tivesse enveredado pela carreira de detective, porque é suposto os detectives serem discretos. Mas a sua primeira hipótese assusta-me. Se alguma das suas amigas da linha a convence que tem uma voz de rouxinol, a Oficina do Livro, passa a Oficina do Disco e aí não haverá quem a ature. Não faltará dizer: "Eu pus Portugal a cantar!".

E já agora...em relação ao título do livro. Pessoas como nós, não.! Pessoas como você!

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Posted by Hello

2 Comments:

Blogger Mocho Falante said...

Não encontro palavras para descrever o senti quando li este tão belo "desabafo". Eu não poderia estar mais de acordo e confesso que melhor não conseguia descrever o que sinto quando vejo estes folhetins à venda numa qualquer Fnac ou mesmo Continente (com todo o respeito que tenho aos folhetins).

De facto é bom por-se Portugal a ler, mas por favor leiam antes a TV Guia (passo a publicidade) que apesar de tudo vão encontrar de certeza textos mais interessantes

Bravo Querida amiga, mordaz mas muito bem dirigida

20 maio, 2005 18:24  
Anonymous Anónimo said...

Que pena que neste país as escritoras "light" tenham tanto sucesso.

Light é a melhor maneira de definir o vazio, a futilidade, o imediatismo da leitura, a asneiroca fácil, a tia a ratar no coiro dos que são iguaizinhos a ela ... e depois é ve-los nos lançamentos dos livros uns dos outros ... sempre as mesmas caras !!

Também fiz o mesmo exercício que tu com o Não Há Coincidências ... e também não consegui passar da terceira página daquele vómito literário, cintilante no seu conjuntinho verde e amarelo.

Que pena, Sra D Margarida que, para que PESSOAS COMO VOCÊ, tenham lugar nesta selva literária onde abundam as escritoras light da moda, não exista lugar para pessoas que escrevem a sério.

A escrita que marca, que deixa a sua marca, escrita que não tem nome de manteiga para emagrecer.

Continuamos a viver num país onde é bom cultivar o futebol, a escrita light, a futilidade, a noveleca das oito e os reality shows ... há que dar ao povo muito pouco em que pensar, porque se o povo começa a usar os neurónios, metade dos encostados deste país ficam à nora.

22 maio, 2005 17:11  

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