A Mãe sempre me disse: "se queres dizer mal, tens de saber do que estás a falar". Eu sempre segui os conselhos da Mãe e à conta disso, já me vi obrigada a ver vários programas do "Levanta-te e ri", do "Vidas reais", dos "Malucos do riso" e do "Zero em comportamento". Ouvi discursos do Santana Lopes, a música dos Delfins e até dissequei pacientemente os poemas desse pseudo-poeta de estrada que é o João Pedro Pais. Gosto particularmente daquela frase que ele cantarola "da vida que levas de novo outra vez!".
Mas o conselho da Mãe, tem tanto de bom como de mau e à conta disto, passei a adorar a música "Sexed Up" do Robbie Williams...
Veio-me parar às mãos um livrito promocional de 24 páginas dessa diva da Li(XO)teratura portuguesa que é a Margarida Rebelo Pinto. Meti dois Bromalex ao bucho, partidos ao meio para parecerem 4 e li, não as 24 páginas mas apenas 4, que o meu sistema nervoso central não dá para mais...Deve ser da Paroxetina!
A receita é a mesma e a miúda que diz ter posto Portugal a ler - ela também é uma óptima humorista - lançou, ou arremessou mais um livro... Parafraseando-a, "Não há coincidências" e com a equipa de marketing que a miúda tem atrás dela - salvo seja, acho eu - até o Zé Cabra vendia livros a rodos.
A cor do livro é (a)berrante, como todas as capas dos seus livros e encontram-se estrategicamente colocados nos topos dos hipermercados sub-urbanos ali mesmo à mão de qualquer inocente. E como no marketing, o que é sofisticado hoje amanhã já não é, não me admiro que dos topos dos hipermercados passem para a secção dos detergentes. Qualquer coisa do tipo: "Na compra de um pacote de 10 kg de Tide, oferecemos o último livro da miúda.".
Ela está em todo o lado. Nos centros comerciais, nos hipermercados e até nos viadutos. Sim, nos viadutos. Abundam os cartazes publicitários, qual estrela Pop. Sim, porque ela diz que é uma escritora Pop. Pop, eram os THE SMITHS, mas provavelmente a senhora nem sabe do que eu estou a falar!
E vende muito. Pois vende. Mas também já se percebeu que a futilidade vende, que o deboche vende, que a mediocridade vende, que a ignorância vende, que o vazio vende. Que lideram as audiências televisivas os canais populistas, os Big Brothers e companhia. O que vende muito, não é necessariamente o que tem mais qualidade.
Diz ela em entrevista, que se não fosse escritora, seria detective ou cantora. Eu preferia que ela tivesse enveredado pela carreira de detective, porque é suposto os detectives serem discretos. Mas a sua primeira hipótese assusta-me. Se alguma das suas amigas da linha a convence que tem uma voz de rouxinol, a Oficina do Livro, passa a Oficina do Disco e aí não haverá quem a ature. Não faltará dizer: "Eu pus Portugal a cantar!".
E já agora...em relação ao título do livro. Pessoas como nós, não.! Pessoas como você!
Não encontro palavras para descrever o senti quando li este tão belo "desabafo". Eu não poderia estar mais de acordo e confesso que melhor não conseguia descrever o que sinto quando vejo estes folhetins à venda numa qualquer Fnac ou mesmo Continente (com todo o respeito que tenho aos folhetins).
De facto é bom por-se Portugal a ler, mas por favor leiam antes a TV Guia (passo a publicidade) que apesar de tudo vão encontrar de certeza textos mais interessantes
Bravo Querida amiga, mordaz mas muito bem dirigida
Que pena que neste país as escritoras "light" tenham tanto sucesso.
Light é a melhor maneira de definir o vazio, a futilidade, o imediatismo da leitura, a asneiroca fácil, a tia a ratar no coiro dos que são iguaizinhos a ela ... e depois é ve-los nos lançamentos dos livros uns dos outros ... sempre as mesmas caras !!
Também fiz o mesmo exercício que tu com o Não Há Coincidências ... e também não consegui passar da terceira página daquele vómito literário, cintilante no seu conjuntinho verde e amarelo.
Que pena, Sra D Margarida que, para que PESSOAS COMO VOCÊ, tenham lugar nesta selva literária onde abundam as escritoras light da moda, não exista lugar para pessoas que escrevem a sério.
A escrita que marca, que deixa a sua marca, escrita que não tem nome de manteiga para emagrecer.
Continuamos a viver num país onde é bom cultivar o futebol, a escrita light, a futilidade, a noveleca das oito e os reality shows ... há que dar ao povo muito pouco em que pensar, porque se o povo começa a usar os neurónios, metade dos encostados deste país ficam à nora.
2 Comments:
Não encontro palavras para descrever o senti quando li este tão belo "desabafo". Eu não poderia estar mais de acordo e confesso que melhor não conseguia descrever o que sinto quando vejo estes folhetins à venda numa qualquer Fnac ou mesmo Continente (com todo o respeito que tenho aos folhetins).
De facto é bom por-se Portugal a ler, mas por favor leiam antes a TV Guia (passo a publicidade) que apesar de tudo vão encontrar de certeza textos mais interessantes
Bravo Querida amiga, mordaz mas muito bem dirigida
Que pena que neste país as escritoras "light" tenham tanto sucesso.
Light é a melhor maneira de definir o vazio, a futilidade, o imediatismo da leitura, a asneiroca fácil, a tia a ratar no coiro dos que são iguaizinhos a ela ... e depois é ve-los nos lançamentos dos livros uns dos outros ... sempre as mesmas caras !!
Também fiz o mesmo exercício que tu com o Não Há Coincidências ... e também não consegui passar da terceira página daquele vómito literário, cintilante no seu conjuntinho verde e amarelo.
Que pena, Sra D Margarida que, para que PESSOAS COMO VOCÊ, tenham lugar nesta selva literária onde abundam as escritoras light da moda, não exista lugar para pessoas que escrevem a sério.
A escrita que marca, que deixa a sua marca, escrita que não tem nome de manteiga para emagrecer.
Continuamos a viver num país onde é bom cultivar o futebol, a escrita light, a futilidade, a noveleca das oito e os reality shows ... há que dar ao povo muito pouco em que pensar, porque se o povo começa a usar os neurónios, metade dos encostados deste país ficam à nora.
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