Canção com lágrimas
Eu canto para ti um mês de giestas Um mês de morte e crescimento ó meu amigo Como um cristal partindo-se plangente No fundo da memória perturbada. Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa E um coração poisado sobre a tua ausência Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês Em que os mortos amados batem à porta do poema. Porque tu me disseste: quem me dera em Lisboa quem me dera em Maio. Depois morreste Com Lisboa tão longe ó meu irmão de Maio Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro. Eu canto para ti Lisboa à tua espera Teu nome escrito com ternura sobre as águas E o teu retrato em cada rua onde não passas Trazendo no sorriso a flôr do mês de Maio. Porque tu me disseste: quem me dera em Maio Porque te vi morrer eu canto para ti Lisboa e o sol. Lisboa com lágrimas. Lisboa à tua espera ó meu irmão tão breve. Eu canto para ti Lisboa à tua espera. Poema de Manuel Alegre |


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