25.6.05

Demolições na minha terra


Numa época em que tanto se fala de conservação de Património e em Cultura, a demolição da casa de Almeida Garrett em Campo de Ourique, é no mínimo surpreendente!
Há algum tempo que corre uma petição que visa impedir a demolição da casa do autor de “Viagens na minha terra”, mas o que é certo é que a demolição do seu interior já está em curso.


A Câmara Municipal de Lisboa, presidida por essa pérola da política, Pedro Santana Lopes, alega que a “casa tem reduzido interesse arquitectónico” e o Ministério da Cultura, agora Socialista, também não encontra interesse relevante na restauração/conservação da casa.


É lamentável que o exemplo da casa Fernando Pessoa, sita no mesmo bairro Lisboeta e sob a direcção de Clara Ferreira Alves, não seja suficiente para nem a Câmara de Lisboa nem o Ministério da Cultura darem um passo atrás em tão escabrosa decisão.
Na casa Fernando Pessoa servem-se refeições, bebe-se um copo ao fim da tarde e fazem-se sessões de poesia. E quem lá vai, sabe que o espaço fica pequeno de mais, tal é a sua afluência.


O destino da casa de Garrett já está traçado e o seu proprietário é obviamente um dos mais interessados pois aquele espaço dará lugar a um condomínio fechado. Mas há mais! Quem é o proprietário? Manuel Pinho! O nome é familiar não é? Pois...nada mais nada menos que o nosso caríssimo Ministro da Economia. O homem não olha mesmo a meios para fazer crescer a economia portuguesa. Principalmente quando o crescimento passa pela sua “parca” conta bancária!


Pois é amigos...quem quiser uma recordação da casa onde viveu e morreu o escritor, corra até ao nº 68 da Rua Saraiva de Carvalho, porque daqui a uns meses o acesso será restrito a quem vive no condomínio!

A Vespinha Indignada

3 Comments:

Blogger Caracolinha said...

É mais um marco histórico que se vai, para juntar a todas as outras que já se foram e mais àquelas que hão-de ir ...

É triste, muito triste, andar por este país e ver a quantidade de património que está em ruínas e que poderia ser tão bem aproveitado.

Neste rectângulo, à beira mar plantado, o que não é deitado abaixo acaba por cair de maduro ...

E nós a assistir a tudo isto de mãos e pés atados e a pagarmos os nossos impostos para ver que tudo continua cada vez mais na mesma ...

Santana Lopes ???? "Qué lá isso..." ... é a casa do Almeida Garrett???? deixa demolir, se fossem demolir uma discoteca é que ele se deitava no chão à frente da rectroescavadora !!!!

Vou-me servir de uma frase que ouvi num dos melhores filmes Portugueses que já vi ...

«QUE PAÍS, MEU DEUS, QUE PAÍS» ...

Caracol Revoltado

25 junho, 2005 20:42  
Blogger Mocho Falante said...

Ao senhor Santana Lopes.

Uma vez que desconhece quem foi Almeida Garrett, cá vai um poema dele para que perceba que o interesse arquitectónico nem sempre é o mais importante.

Ao Senhor Ministro da Ecónomia, fica a saber que nem com um condominio privado irá consguir atrair um poeta como Alemida Garrett: TENHAM VERGONHAM MEUS SENHORES, TENHAM VERGONHA!!!!!!!!!!!!!!!11


CAMÕES NÁUFRAGO

Cedendo à fúria de Neptuno irado
Soçobra a nau que o grão tesouro encerra;
Luta coa morte na espumosa serra
O divino cantor do Gama ousado.

Ai do Canto mimoso a Lísia dado!...
Camões, grande Camões, embalde a terra
Teu braço forte, nadador aferra
Se o Canto lá ficou no mar salgado.

Chorai, Lusos, chorai! Tu morre, ó Gama,
Foi-se a tua glória... Não; lá vai rompendo
Coa dextra o mar, na sestra a lusa fama.

Eterno, eterno ficará vivendo:
E a torpe inveja, que inda agora brama,
No abismo cairá do Averno horrendo.

27 junho, 2005 00:09  
Anonymous Anónimo said...

À vespinha indignada junta-se a formiguinha indignada com a falta de atenção ao nosso património.

01 julho, 2005 17:10  

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