O Poço

| Cais, às vezes, afundas em teu fosso de silêncio, em teu abismo de orgulhosa cólera, e mal consegues voltar, trazendo restos do que achaste pelas profunduras da tua existência. Meu amor, o que encontras em teu poço fechado? Algas, pântanos, rochas? O que vês, de olhos cegos, rancorosa e ferida? Não acharás, amor, no poço em que cais o que na altura guardo para ti: um ramo de jasmins todo orvalhado, um beijo mais profundo que esse abismo. Não me temas, não caias de novo em teu rancor. Sacode a minha palavra que te veio ferir e deixa que ela voe pela janela aberta. Ela voltará a ferir-me sem que tu a dirijas, porque foi carregada com um instante duro e esse instante será desarmado em meu peito. Radiosa sorri-me se minha boca fere. Não sou um pastor doce como em contos de fadas, mas um lenhador que comparte contigo terras, vento e espinhos das montanhas. Dá-me amor,sorri-me e ajuda-me a ser bom. Não te firas em mim, seria inútil, não me firas a mim porque te feres. Pablo Neruda |


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12 Comments:
Vespinha amiga, quantas vezes é preciso dizer que tens de avisar quando aqui pões Pablo Neruda para que eu não corra o risco das lágrimas me molharem a penugem????
Bábas deliciados
Lindo!
Oi Vespinha...
Bom dia...
É sempre delicioso reler Neruda...
1 Bj
«Dá-me amor,sorri-me
e ajuda-me a ser bom.»
Um sorriso como arma. «Ajuda-me», algo que hoje em dia é difícil alguém dizer. Muito bom mesmo.
Cheguei aqui através do meu amigo Sérgio do EN 101. Pablo Neruda é excepcional. Neruda está para o Chile como Pessoa está para Portugal.
Um abraço.
PS: Poderei saber quem cantava a música que ontem tocava no seu blog?
quando for "crescida" vou ter um portátil com som para poder ouvir a música que aqui acontece. :)
Beijinhos de muitas cores.
Olá.
Um poema muito bonito,muito bonita a cumplicidade que ele declara no fim com o seu amor.Mas fiquei no fim sem perceber qual a mágoa que os separa!!!Sem dúvida um poema de desencontros,onde o poeta declara a sua desventura e a impossibilidade de dar uma vida de sonho a "ela".
Penso também que ele quer entender-se com "ela",rendendo-se no fim.
O que achas?
Beijos de outro mundo.
O meu poeta do Amor. Fico-te grato, Vespinha :-)
Beijinho
What can I say?!
Excelentes escolhas: o Neruda e a música :)
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Olá Ultimate_pt.
Já li e reli o poema e chego à conclusão de que a grande mágoa dele é precisamente não saber o que os separa...
Sim.Também acho que ele queria muito entender-se com ela...
Admiro a tua sensibilidade.
Bj da Vespinha (também) sensível
Minha Querida Vespinha, amiga maior e mais linda ... passa-se o seguinte ... já cá vim por várias vezes e tentei comentar este poema ... o pior é que todas as palavras que eu encontro não são suficientes para o qualificar ... uma coisa te garanto ... foste responsável por uma das leituras mais inesquecíveis que já fiz na vida.
Que a tua sensibilidade nos continue a trazer obras primas como esta.
Beijo Poético ~:o)
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