29.8.05

O Fim dos AA

Ultimamente este Vespeiro tem servido a gente anónima para publicitar os seus negócios.

Chegam e dizem:

- hello e tal...i love your blog e blá blá blá e deixam o link do negócio.

Ora antes que se dê o enxovalho de começarem a surgir publicidades do tipo "aumente o seu pénis" ou "aumente os peitorais",corta-se o mal pela raiz!

Acabaram-se os AA (Anormais Anónimos) e a partir de hoje, comenta quem estiver registado.

Que praga,hein??

26.8.05

"Se cada dia cai"

Se cada dia cai,dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda (Últimos Sonetos)

24.8.05

TV Lixo

Já se sabe que o País está a arder.
Não é novidade.
Mas haverá necessidade de todos os TeleJornais das 20 horas, dedicarem em média 30 minutos a esta temática?
Acho que não, mas as audiências gritam que sim!

Todos os dias somos bombardeados com um chorrilho do mesmo.
Populares a defenderem ou a chorarem os seus bens.Bombeiros impotentes sem recursos. Jornalistas no meio das chamas sedentos de desgraças.

E se não há fogo, há fumo.Toca de ir para o Algarve, praia adentro entrevistar pessoas.

Esgotado o fogo e o fumo cá do burgo, segue-se a Galiza que por lá também há fogos!

Não seria melhor despender estes 30 minutos pondo o povo a pensar em vez de lhes dar espectáculo?

Não será o papel da verdadeira informação, questionar-se e dar respostas?

Porque razão após o flagelo do ano passado, conseguimos cometer a proeza da área ardida este ano, ser superior?

Porque razão ainda não dispomos de meios suficientes para combater os fogos?

Porque razão não se elaborou um plano de prevenção de fogos?

Porque razão não se vão buscar aos quartéis, militares para trabalhar em parceria com os bombeiros?
É assim tão difícil?

22.8.05

17.8.05

Solidão por Chico Buarque

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes
queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário a que a gente se impõe, às vezes, para
realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe
compulsivamente para que revejamos a nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela
nossa alma.


A Vespinha que não se sente só (mas quis partilhar)

13.8.05

Dia do Canhoto


Parabéns a todos os CANHOTOS do mundo e em especial para o mais célebre de todos os canhotos, SAPO COCAS!! E EU!

Na foto,Cocas toca orgulhosamente bandolim com a sua pata esquerda!


A Vespinha Canhota

Silly Season



Era mais uma noite de Silly Season na Casa do Castelo do Mocho.
Faziam-se os últimos preparativos,esperavam-se os últimos convidados enquanto se mordiscavam aperitivos e se bebia Martini Branco sem gelo.

O ambiente estava fantástico mas num ápice se quebrou.

O Mocho decide rapar o cabelo. A Caracolinha oferece ajuda. Oiço a máquina ligada. Segundos depois oiço gritos de desespero vindos da casa de banho. O Mocho grita:

- Pára, pára! Estás-me a arrepanhar o cabelo todo! Xiça, parece que estás a tosquiar uma ovelha! Vespa, anda cá, caraças!

Saco a máquina à Caracolinha e o Mocho respira de alívio.
Peço ajuda para os últimos retoques.Contas feitas, foram precisas três pessoas para dar conta do recado!

O ambiente volta à normalidade. Parecemos um grupo de gente bem comportada.
As velas, o incenso no ar, a casa à média luz, o “petit jardin” do Mocho decorado com gosto e com espécies que nem o Amazonas.

Toca o CD do Budha Bar VI. A nossa postura continua sem mácula, até que uma das faixas faz descambar tudo! Sim, a faixa que estão a ouvir neste momento neste blog!!
O momento ficou imortalizado na foto acima. Ao centro, Caracolinha e Mocho destacados, fazendo jus aos euros pagos ao professor Paquito El Gitano dos Alunos de Apolo.
Atrás, na ala esquerda, Doninha no tamborinho e na ala direita, Vespinha na palma.

Trocam-se as “flûte” de champanhe por uma carrascona Super Bock. E ouve-se e dança-se a música uma, duas, três, quatro vezes. Já ninguém nos leva a sério!

“Quem nasceu lagartixa, nunca chega a jacaré!”.

Simulam-se danças do ventre e por segundos consigo imaginar uma moeda de dois euros para sempre entalada no umbigo do Mocho...

É a Silly Season levada ao extremo. Rimo-nos de coisas ainda mais imbecis que nas outras épocas do ano.

Acaba o jantar no “jardin” da Casa do Castelo do Mocho.
Eles jogam às cartas, eu espojo-me na rede, balanço-a e vou puxando os pêlos dos braços do Mocho com os dedos dos meus pés.(Such a Silly Girl)

A Vespinha na rede (hic)

11.8.05

Café/Consulta


Não tem mais de 60 anos. Cabelo branco. Não é gordo. Está opado.
Movimenta-se bamboleante com a ajuda de uma bengala.
A voz arrastada, o olhar vazio. Ri-se de nada.

Usufrui certamente de uma reforma demasiadamente antecipada.

8:15 da manhã. Tomo o pequeno almoço na mesa ao lado.
Ele já despachou uma lata de Coca-Cola, muitos cigarros e vai a meio de uma imperial.
A mulher sorri incentivante.
Ali vivem-se definitivamente outros padrões de normalidade.

Um homem alto, magro, pouco cuidado, junta-se à mesa deles.

A mulher tira da mala um bloco de receitas e de vinhetas.
Ele escreve com dificuldade. A mão parece ter vida para além da sua própria vida.
Pergunta ao outro homem:

- É o quê?

O homem que entretanto chegara, pede-lhe um Neuroléptico.
E o outro (tão ou mais psicótico que ele), com dificuldade, descola a vinheta do autocolante e passa-lhe a receita.
A mulher recebe duas notas de €20 e uma de €10 e guarda-as na carteira.
O homem magro sai de receita na mão.
O “médico” pede mais uma imperial!

A vespinha Incrédula

10.8.05

A Seca


Quando oiço falar da seca, vem-me à cabeça:

Barragens, incêndios, falta de água, poupança de água, piscinas fechadas, campos de golfe cuja rega vergonhosamente não é cancelada, cedência de água aos espanhóis, bidões e garrafões...tudo isto, excepto uma coisa, CARACÓIS!

Fui surpreendida com uma notícia que relata a crise no comércio dos CARACÓIS por causa da seca que também se vive em Marrocos!

Todos os anos nos chegam de Marrocos toneladas de Caracóis e não é que os moluscos este ano com a seca ficaram todos mirradinhos e estão a ser alvo de duras críticas?

Não há direito! Um bicho afável, amigo do seu amigo, não pode pôr o pé em ramo verde (neste caso em ramo seco) que lhes cai logo tudo em cima!!

Este post é obviamente dedicado à nossa Caracolinha.

A Vespinha Solidária

7.8.05

Aquellos Ojos


Ibrahim Ferrer

Fica-me a imagem dos seus olhos doces e o sorriso de menino.
Fica a voz nos discos e a cumplicidade com Compay Segundo e Rubén González documentada em “Buena Vista Social Club” quando Ry Cooder voltou Havana ao contrário, os encontrou e os (re)uniu.

Fica a música em noites quentes como esta, quando a Oeste o som se esvaía pela janela e pairava em nós no terraço de cimento ainda quente do dia.

Um sorriso. Uma garrafa de vinho tinto. Mais um sonho para a troca.
Eram assim as nossas noites com Ibrahim Ferrer a Oeste.

Ibrahim fazia-nos sorrir. Ibrahim deixava-nos sonhar. Lembram-se?

Hasta Siempre

A Vespinha lágrima no olho

5.8.05

70 minutos


Não tinha mais de 22 anos quando vi “Antes do Amanhecer”.
Revi-me imediatamente na primeira cena do filme. Um comboio que circulava pela Europa.
Um encontro. Ele a terminar o Euro-Rail e de regresso aos Estados Unidos. Ela, de regresso a Paris.
Decidem sair na estação seguinte,Viena e nas 14 horas que lhes sobram,conversam, partilham o passado, ideais e medos. Descobrem-se, questionam-se, entregam-se.
A ligação entre eles é de tal forma imediata e profunda que resolvem combinar um encontro 6 meses depois na mesma cidade, na mesma estação, na mesma gare.

Após 105 minutos de diálogos absolutamente desconcertantes, cheios de cumplicidade e harmonia, tem-se duas hipóteses:
Ou se pensa que acabou ali ou então que se encontram seis meses depois.

Sempre acreditei que naquele 16 de Dezembro de 1994, naquela estação, naquela gare, à hora marcada, aqueles dois lá estariam.

Passaram 9 anos e sem que nada o fizesse prever, surge “Antes do Anoitecer”.
Descubro se naquele 16 de Dezembro se reencontraram. Ou não.

O cenário é Paris.
Ele promove o seu livro, ela lê no jornal que ele estará na sua livraria preferida.
Mais uma vez o tempo é pouco.70 minutos.
70 minutos pelas ruas parisienses e pelas margens do Sena.
Caos emocional, arrependimentos e perguntas tão urgentes como o tempo que lhes resta.
70 minutos para recuperar uma história que teve apenas um começo.
70 minutos em que nos vamos apercebendo da importância que aquela noite em Viena teve para ambos.

Um filme para quem sabe e sente que um encontro, por muito breve que seja, pode marcar profundamente uma vida e transformá-la para sempre.

Identifiquei-me tanto com eles hoje, como há 9 anos atrás.


“Memory is a good thing when you don’t have to deal with past” Julie Dely

3.8.05

O Abominável Homem Do Colete


O tão falado Homem Invisível existe mesmo!
Basta observarmos por breves instantes as nossas estradas e facilmente verificamos que o Homem Invisível se faz transportar discretamente de automóvel, no lugar ao lado do condutor e que enverga um colete verde fluorescente!

E os americanos a torrarem milhões de dólares em efeitos especiais...bah!

A Vespinha aterrada


1.8.05

Um lugar ao Sol...


Para acabar de vez com o pesadelo – e ganhar outro logo a seguir – dirigi-me a uma grande superfície e comprei a maldita raquete de squash e as bolas saltitantes!

Deixei para o fim a compra dos calções e a escolha estava difícil. Sinceramente não vi nada que me agradasse, mas houve quem visse!
Os calções que comprei são de um péssimo mau gosto – não os vou descrever porque tenho vergonha – mas a ansiedade da Caracolinha fê-la ultrapassar os limites do razoável e elogiou-os apesar de me garantir que serão temporários e que “para a semana se arranjam outros”...

A hora escolhida para a prática deste desporto relaxante não podia ter sido mais inteligente. Meio-dia, à torreira do sol e sem um metro de sombra!

Pego na raquete e a outra põe-se ao meu lado com ar de atleta olímpica em jeito de desafio.
Dou uma primeira “sticada” e ganho a primeira de muitas viagens ao campo de ténis colado ao nosso.
À terceira viagem um homem voluntarioso aborda-me e diz

- Vejo que estão com algumas dificuldades...

E toca de dar uma pequena palestra sobre o manuseamento da raquete.
A breve formação foi engolida pela minha respiração ofegante e o enxovalho já tinha tomado conta da minha manhã dominical normalmente passada com um bom pequeno almoço e o jornal diário!

Mais uma tentativa. A outra continuava saltitante e desportiva dizendo:

- A primeira vez é assim em tudo! Vamos lá!!

Não lhe respondi e pensei noutras coisas cuja primeira vez foram bem mais prazerosas e que até quis durante uns tempos repetir incessantemente!

O sol apertava. A bola mais uma vez no campo do lado. Olho e reparo que se estacionou a meio metro da rede. Não hesito. Arranho uma mão toda mas poupo-me a mais uma tortuosa viagem!

Volto e a esperança invade-me o espírito. Desta vê a minha companheira de squash já dá sinais de algum cansaço.
Meio-dia e meia. Dou três ou quatro boladas seguidas na parede e uma bola mais arisca atravessa o campo na diagonal. Ainda corro, mas entre esborrachar a cara na rede e perder a bola, opto pela última hipótese.
Sinto que vou morrer. A outra, delicadamente comenta que pareço que estou desfigurada!

Imagino-me com um colapso no meio do campo e recordo-me das sábias palavras da mãe:

-Filha, podes ser tudo, mas com dignidade!

E penso que uma miúda pode morrer nova, mas com dignidade. Que uma miúda pode morrer a escrever, pode morrer no sono enquanto digere ao sol uma almoçarada numa espreguiçadeira! Mas uma miúda jamais pode morrer esticada à torreira do sol, de raquete na mão, de panamá na cabeça e de calções de feminilidade duvidosa, mesmo que seja apenas uma indumentária temporária.

Agora, matava por uma garrafa de água. Penso.

Olho para ela. Está definitivamente arrasada e diz-me a frase mágica.

- Vamos andando!

Tudo regressa à normalidade.
Afinal, é mesmo Domingo e é dia de almoço em casa da Mãe!

De banho já tomado, os pés libertos e a espreitar o mundo pelos chinelos cor de osgas (não, não são os da promoção do Mac. Chega de enxovalho!), de bermudas fresquinhas, enfio-me no carro, que a manhã tirou-me as forças para ir de Vespa e ao som do “Mayonese” dos Smashing Pumpkins o Domingo da miúda vai agora começar para acabar no mínimo com uma hidromassagem nos pés!

A Vespinha derreada!